Portrait of a Profound Brazil.

 

I have no doubt that there is a dreamer in us. One who sees the world with ‘other eyes‘. Who feels the world with ‘another soul‘.

(texto em português ao final)

For those who want to break free I invent the pier
I invent more than loneliness gives me
Invent new moon to lighten
I invent love and I know the pain of finding
I wanted to be happy
I invent the sea
I invent the dreamer in me
For those who want to follow me I want more
I have the way of what I always wanted
And a sloop ready to go
I invent the pier
And I know when it’s time to launch
(‘Pier’. Poem by Ronaldo Bastos)

I also have no doubt that it exists within a country, region or city, ‘other countries or, other regions or cities’. Within each of us are ‘others of ourselves‘. And, these ‘one of ourselves‘ perceives this country, region or city differently. Many factors lead to this. But, I think in my case, my life story – where I was born and lived, my childhood and adolescence, and the education I had – made me ‘someone’ who brings this dreamer inside, who sees and feels the world with ‘other eyes‘ and ‘another soul‘.

I always thought, I felt that there was ‘another Brazil’. This “other Brazil” fits geographically speaking at exactly the same limits as the ‘official Brazil’, but “he” is different in everything. In this “Deep Brazil” what you see are simple people, but very rich. Rich for giving yourself to the maximum and extremely spontaneously, truly. They also give in intense dialogue and open smiles, like a shirt open in the chest in the wind. Sincere and authentic.

I have a feeling that these people and their peculiar way of life, for whom time seems not to have passed are invisible to the vast majority of the populations and the big media of the large and medium cities of this country.

All this richness of these people who are estranged, isolated, in body and soul (and by personal choice), from the big cities and their customs and (many) mass vices, perhaps means their main virtues. The scale of values ​​of these people is not only perceived in these characteristics, but also expressed by the value given to time; in the meaning and use of time. The days are the same 24 hours as always and from anywhere. However, I feel them longer, more depressed. The speech, the look, are intense, warm, warm, uncompromising, meek, permeated by intervals of silence that carry many meanings.

“Sir … ‘Mire’ see: the most important and beautiful thing in the world is this: that people are not always the same, they are not finished yet – but that they are always changing. They tune or detune. Greater truth. It is what life has taught me. That’s what makes me happy.” (João Guimarães Rosa. “Grande sertão: veredas”)

In this ‘Profound and Intense Brazil’ that I feel, or that is presented to me, there are also landscapes and scenes of everyday life, in rural areas or small urban agglomerations that, in a very – and especially for me – They look like these people. These are peaceful, peaceful landscapes and scenes that seem to invite me to reflect on my mission here on Earth and to immerse myself in them through the lens of my cameras in a great attempt to reveal its secrets.

In the ‘Pofound Brazil’ I see, which I feel in my photography, the encounters and dialogues, the sensations, the images, the visions of the world can escape through the fingers of less warned or unnoticed passers-by, but they overflow, they spill over into my eyes.

“We live repeated, repeated, and, slippery, in one minute, is already pushed on another branch. I hit what I later knew, beyond so many wonders … One is always in the dark, only the last thing is that they clear the room. I say: the real is not in the exit or in the arrival: it is available to us is in the middle of the crossing. (João Guimarães Rosa in “Grande Sertão: Veredas”)

Retrato do Brasil Profundo.

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de encontrar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

(Cais. Poema de Ronaldo Bastos)

Não tenho dúvidas de que existe em nós um sonhador. Aquele que vê o mundo com ‘outros olhos’. Que sente o mundo com ‘outra alma’.

Não tenho dúvidas, também, que existe dentro de um país, de uma região ou de uma cidade, ‘outros países ou, outras regiões ou cidades’. Dentro de cada um de nós há ‘outros de nós mesmos’. E, esses ‘um de nós mesmos’ percebe esse país, região ou cidade de forma distinta. Muitos fatores levam a isto. Mas, creio que em meu caso, a minha história de vida – onde nasci e vivi a minha infância e adolescência, e a educação que tive – fizeram de mim ‘um alguém’ que traz esse sonhador dentro, que vê e sente o mundo com ‘outros olhos’ e com ‘outra alma’.

Sempre achei, senti que existia um ‘outro Brasil’. Esse ‘outro Brasil’ se insere geograficamente falando exatamente nos mesmos limites do ‘Brasil oficial’, mas ‘ele’ é diferente em tudo. Neste “Brasil Profundo” o que se vê, o que se encontra, são pessoas simples, mas muito ricas. Ricas por doar-se ao máximo e de forma extremamente espontânea, de forma verdadeira. Doam-se, também, nos intensos diálogos e sorrisos abertos, como uma camisa aberta no peito ao vento. Sinceros e autênticos.

Tenho o sentimento de que essas pessoas e seu modo peculiar de vida, para quem o tempo parece não ter passado – ou passado bem mais devagar – são invisíveis à grande maioria das populações e as grandes mídias das grandes e médias cidades deste país.

Toda essa riqueza dessas pessoas que estão afastadas, isoladas, de corpo e de alma (e por opção pessoal), das grandes cidades e de seus costumes e (muitos) vícios de massa signifique, talvez, suas principais virtudes. A escala de valores dessas pessoas não se percebe somente nessas características, mas expressa-se, também, pelo valor que se dá ao tempo; no significado e uso do tempo. Os dias têm a duração das mesmas 24 horas de sempre e de qualquer lugar. No entanto, sinto-os mais longos, desapressados. O falar, o olhar, são intensos, mornos, aconchegantes, descompromissados, mansos, permeados por intervalos de silêncios que carregam muitos significados.

“O senhor… Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.” (Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas)

Nesse “Brasil profundo e intenso” que sinto, ou que a mim assim se apresenta, encontram-se, também, paisagens e cenas do cotidiano, em áreas rurais ou de pequenas aglomerações urbanas que, em muito – e, especial, para mim – parecem-se como essas pessoas. São paisagens e cenas sossegadas, calmas, que parecer convidar-me à reflexão sobre a minha missão aqui na Terra e a submergir-me nelas através das lentes de minhas câmeras fotográficas numa grande tentativa de revelar seus segredos.

No “Brasil Profundo” que vejo, que sinto na minha fotografia, os encontros e diálogos, as sensações, as imagens, as visões do mundo podem escapar pelos vãos dos dedos de transeuntes menos avisados ou desapercebidos, mas transbordam, extravasam ao meu olhar.

“A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos assombros… Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” João Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”.

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