Rural Workers: New Protagonists. New stories. But “all things must past”.

It is truly unbelievable and remarkable what photography promotes in our heads, minds, especially mine, of a photographer. There are many “mind trips” that I go through in each photo shoot and then during the later stage of image selection and post processing. (texto em Português ao final)

1 Colheita Mandioca Faz Uru Nikon D500 (72) 20_23Jul19 (1 of 1)-2

For about three years I have been photographing rural workers in many different activities throughout Brazil. These activities are not easy at all. They are repetitive where the use of force, sometimes in excess and under a scorching sun, is the commonplace.

Unless I’m photographing the same group a second or more times, these people are unknown to me. They are anonymous protagonists of my photos, of my art that I try to portray as authentically and with the greatest emotion possible. The lenses of my cameras become the mirror of these people for the world and for posterity.

22 Colheita Mandioca Faz Uru Nikon D500 (72a) 20_23Jul19 (1 of 1)

Reflecting on these aspects that, I must say, affect me most strongly each time I walk my path in the visual art of photography, I recall an excerpt from Boris Kossoy’s book (Realities and Fiction in Photographic Plot. Ateliê Editorial. 1999 149 pp.). In this passage the author brilliantly writes about the “memory of photography“, about the “trajectory and death of the document“.

Interpreting this excerpt from the book, in short, the author says that “photographs survive after the death of the creator and that recorded scenes will never be repeated.” That the moments lived between the photographer and the photographed are “frozen and irreversible“. The author goes on: As the photographer who lived (and was thrilled with) these moments and made these records for posterity, as well as all his equipment paraphernalia, the photographed will also age and eventually one day disappear. Says the author: “Only photographs survive“. For some time I would say, because they will also suffer the action of this inexorable variable that is time. But in the time these photographs have survived, they will be seen by “strange eyes in unfamiliar places: nature, objects, shadows, rays of light, human expressions, sometimes children, now more than centuries old, who are kept children” poetically says Kossoy.

This part of the quoted book concludes by saying that when this “second reality disappears – either voluntarily or involuntarily – those characters die a second time. The photographic visible registered there dematerializes. The cycle of memories is interrupted. The document and the memory are extinguished”.

The aforementioned feelings come upon me during these photo shoots of my “anonymous protagonists” who, through the lens of my cameras, become closer to the people who see my pictures.

To finalize I return to the questions raised by Boris Kossoy in his book and I conclude that I will pass, (all) my equipment will pass, my photos will be seen today, tomorrow and for a while by people I know. But in the future they will be seen by people I didn’t know who didn’t know me, until one day they also will pass, as will my “anonymous protagonists“.

 

Trabalhadores Rurais: Novos Protagonistas. Novas estórias.

É realmente inacreditável e marcante o que a fotografia promove em nossas cabeças, mentes, especialmente a minha, de um fotógrafo. São muitas “viagens mentais” que percorro em cada sessão de fotografias e depois durante a etapa posterior de seleção e pós processamento das imagens.

Há cerca de três anos fotografo trabalhadores rurais em muitas atividades diferentes pelo Brasil. Estas atividades não são nada fáceis. São repetitivas em que o uso da força, às vezes em excesso e debaixo de um sol escaldante, é o lugar comum.

A não ser quando estou fotografando o mesmo grupo pela segunda ou mais vezes, essas pessoas são por mim desconhecidas. São protagonistas anônimas de minhas fotos, de minha arte que eu procuro retratar de forma mais autêntica e com maior emoção possível. As lentes de minhas câmeras tornam-se o espelho dessas pessoas para o mundo e para a posteridade.

Refletindo sobre esses aspectos que, devo dizer, afetam-me fortemente mais à cada vez que trilho meu caminho na arte visual da fotografia, lembro-me de um trecho do livro de Boris Kossoy (Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. Ateliê Editorial. 1999. 149 pp.). Neste trecho o autor brilhantemente escreve sobre a “memória da fotografia”, sobre a “trajetória e morte do documento”.

Interpretando este trecho do livro, em síntese, o autor fala que “as fotografias sobrevivem após a morte de quem as criou e que as cenas gravadas jamais se repetirão“. Que os momentos vividos, entre o fotógrafo e os fotografados, são “congelados e irreversíveis“. O autor prossegue: como o fotógrafo que viveu (e se emocionou com) esses momentos e fez esses registros para a posteridade, bem como todas sua parafernália de equipamentos, os fotografados também envelhecerão e por fim, um dia, desaparecerão. Diz o autor: “só as fotografias sobrevivem“. Por certo tempo eu diria, pois também sofrerão a ação dessa variável inexorável que é o tempo. Mas, no tempo que essas fotografias sobreviveram, elas serão (ou passarão a ser) vistas por “olhos estranhos em lugares desconhecidos: natureza, objetos, sombras, raios de luz, expressões humanas, por vezes crianças, hoje mais que centenárias, que se mantiveram crianças” poeticamente diz Kossoy.

Esta parte do livro citado finaliza dizendo que quando esta “segunda realidade desaparece – seja por ato voluntário ou involuntário -, aquelas personagens morrem pela segunda vez. O visível fotográfico ali registrado desmaterializa-se. O ciclo das lembranças e recordações é interrompido. Extinguem-se o documento e a memória.

Os sentimentos antes mencionados, abatem-se sobre mim durante estas sessões de fotografias de meus “protagonistas anônimos” que, através das lentes de minhas câmeras fotográficas, tornam-se mais próximos das pessoas que vêem minhas fotos.

Finalizando, eu retorno às questões levantadas por Boris Kossoy em seu livro e eu concluo que eu passarei, meus equipamentos passarão, minhas fotos serão vistas, hoje, amanhã e por um tempo, por pessoas que conheço. Mas, no futuro, serão vistas por pessoas que não conheci e que também não me conheceram, até que um dia também passarão, como também terão passados os meus “anônimos protagonistas“.

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